

Tá tudo aqui, entalado, pedindo pra sair. Aquele grito, quase um grito de socorro, só esperando a hora em que vai ganhar voz. Tantos sentimentos mas tão poucas palavras…

É meio complicado. As pessoas me olham notam o sorriso nos meus lábios mas não vêem a tristeza nos meus olhos. É como viver sempre uma falsa realidade, uma fantasia. Não sei se fico feliz por ser tão forte a ponto de esconder minhas infelicidades atrás de um sorriso, ou se fico triste por não ter quem repare no que os meus olhos dizem.

Custa mimar um pouquinho? Falar uns clichês de vez em quando, tratar como um bebê, abraçar bem forte e apertado, sufocar de tanto que dá atenção, ligar sem nenhum pedido, fazer carinho e cafuné, fazer visitas inesperadas e sem hora para ir embora, dizer infinitas vezes “Te amo”, prestar atenção em tudo o que eu digo, encher de cócegas e até dormir de conchinha. Custa? Só para eu me sentir mais importante.

Aqui estou. Tentando disfarçar essa pieguice excessiva e até meio ridícula. Me escondendo atrás de uma indiferença que não faz parte de mim; me fazendo de forte para não ser tão afetada por esse sentimentalismo exagerado que me domina. Se eu soubesse que sentir em demasia não estava em alta, teria me controlado desde o início para não me acostumar a viver assim, amando feito uma boba.